A falta de empatia produz as maiores mazelas do mundo


A falta de empatia produz as maiores mazelas do mundo

Nara Rúbia Ribeiro

Por

 Nara Rúbia Ribeiro

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 Maio 1, 2016

 

 

A empatia é o sentimento que nos liga ao outro. É quando você se ausenta de si e permite que o outro esteja presente em seu íntimo. E assim tenta sentir o que o outro sente, tenta ver o que o outro vê, tenta entender o porquê do outro, quais as suas dores, quais as suas razões mais profundas, quais as suas carências… É quando você procura no outro aquela dor que o faz tão humano quanto você, aquele sonho que talvez possa ser sonhado junto, aquela ânsia, aquela esperança…

Ao sentir o humano que existe no outro, sabendo-nos também humanos, é que damos sentido à palavra “Humanidade”.

Penso que a nossa geração esteja repleta de pessoas empáticas. Há muitos que sabem sentir a dor do mundo e que primam por preencher a nossa atmosfera psíquica com as flores da gentileza e o perfume da gratidão. Estes seres de Luz, embora raro tenham holofotes sobre si, são os verdadeiramente ricos e poderosos, pois são os seus gestos anônimos, as suas preces silenciosas e seus pensamentos de Paz que espalham centelhas de esperança por tota a Terra.

 

Mas é inegável que muitos ainda não tenham compreendido que as maiores mazelas do mundo se dão pela falta de empatia dos homens. O político não consegue, por exemplo, sentir a dor do velho aposentado rural que necessita amputar com urgência uma perna necrosada e não consegue uma vaga para a realização do procedimento médico no Sistema Único de Saúde. E porque não consegue sentir a dor desse velho, o político extravia a verba destinada a esse atendimento e vai comer as primícias dos restaurantes mais caros do mundo, em Dubai.

O marido não consegue sentir que a sua mulher é um ser que, assim como ele, quer saber-se amado e livre e a aprisiona nas correntes do ciúme, trancafiando o seu ego nos mais sujos e angustiosos porões.

Por não saber “ser o outro”, o homem furta, rouba, violenta… O homem achincalha a fé alheia, o sonho alheio. O homem escraviza o homem. O homem condena povos inteiros, comunidades inteiras à miséria, roubando-lhes as condições necessária para que possam sequer enxergar a própria indignidade.

É a falta da empatia que contamina o mundo da praga do imediatismo, do consumismo, do uso indiscriminado de recursos naturais.

 

A falta de empatia faz com que desumanizemos o outro e com nisso nos tornemos menos humanos, mais egoístas, mais individualistas, mais competitivos e mais insanos.

E quando vejo este planeta vivenciar tempos tão sombrios, realidades tão infelizes, quando vejo os poderosos exibirem as suas misérias morais como se fossem troféus , eu me recordo da frase tão recomendada por Chico Xavier “Isso também passará”. Nenhuma ignorância poderá perpetuar-se no tempo e no espaço.

A nossa essência Maior (ela, sim!) é eterna. Somos cidadãos de um tempo a adquirir o aprendizado necessário, coletiva e individualmente, para a nossa contínua e perene evolução.

Diante disso, sorrio! Sei que passará a glória dos avacalham com a sorte do pobre, que riem da Verdade, que zombam da Justiça, que torturam o sonho e a esperança de nações inteiras… E, como já dizia Quintana: “eles passarão” e nós (que nos exercitamos na empatia) nós “passarinho”.

Fonte: 

https://www.revistapazes.com/empatia/

 

O ESSENCIAL CADA VEZ MAIS INVISÍVEL AOS OLHOS

publicado em literatura por 

O artigo lança luz sobre uma das mais lidas obras do mundo: "O pequeno Príncipe", correlacionando-a às vertentes filosóficas e sociológicas de Muniz Sodré e Manuel Castells. O Clássico literário é conhecido por problematizar a necessidade de enxergarmos o essencial à vida e à condição humana.

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Quando adultos estamos, via de regra, orientados a seguir uma lógica capitalista que nos dita um modo de vida. Diuturnamente, é despejada sobre nós, uma turbulência de imperativos que nos dizem o que comprar, que profissão exercer, a quem e a hora de amar. Devemos mostrar em todos os âmbitos de nossa vida que alcançamos o sucesso, porque do contrário, seremos rotulados de fracassados e nessa lógica voraz de inversão do ser pelo ter, só nos cabe ostentar a posição de vencedores. A corrida desenfreada pelo êxito e felicidade ao alcance de uma prateleira deve ser milimetricamente pensada em função do tempo. Para os ditames do capital, não há tempo a perder ou talvez nem haja tempo.

O capitalismo informacional e as relações humanas

O sociólogo espanhol Manuel Castells, que na década de 70, teve como destaque os estudos orientados para o desenvolvimento da sociologia urbana marxista, passa em meados de 1980, a direcionar suas pesquisas para o campo da tecnologia da informação e comunicação; frisando que o capitalismo entra na era informacional e norteia mudanças sociais e comportamentais. Atreveria-me a preconizar que as relações sociais e pessoais também foram afetadas pela reconfiguração do modelo de produção capitalista presente na era da informação e da geração digital. Se nos dizeres do filósofo da comunicação e da linguagem, Muniz Sodré, na sociedade high tech, estamos cada vez mais conectados, porém, não vinculados; há uma obra que embora escrita na década de 40, continua muito atual em tempos hodiernos. Considerada uma das maiores obras do século XX, O Pequeno Príncipe, escrito pelo francês Saint-Exupéry, tratava há mais de 70 anos, exatamente no diálogo permeado entre o personagem central e a raposa, sobre a carência das pessoas em nutrir relações mais profundas, em dedicar parte de seu precioso (no sentido mais extenso e denotativo da palavra) a ouvir o outro, a cativá-lo.

Na era do capitalismo cognitivo, de relações mediadas pelas novas tecnologias, em que até cumprimentar o vizinho pode se configurar num desperdício de tempo em face da correria e dos dissabores cotidianos, afinal impera a lógica de que tempo é dinheiro e dinheiro é a mola mestra do capital, dá um sentido humano às nossas construções parece algo cada vez mais intangível. Estamos perdendo o hábito de nos comunicar face a face. Nos ambientes públicos, ainda que estejamos rodeados de amigos, não nos desprendemos do smartphone. Na ânsia de estarmos conectados com pessoas dos mais diferentes territórios geográficos, aproximamo-nos de quem longe habita, mas nos distanciamos de quem está próximo, de quem, muitas vezes, tanto aguarda um minuto de nossa escassa e dispersa atenção.

O Pequeno Príncipe e a filosofia das relações

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Quando o autor de O Pequeno Príncipe, escreveu a obra traduzida em mais 253 idiomas e dialetos, talvez nem cogitasse a invenção da internet, na década de 1960, decorrente de pesquisas militares no auge da Guerra Fria, mas já profetizava a dificuldade humana em se doar, em se importar com a alteridade:

“- Eu procuro amigos. Mas, o que significa cativar? -É uma coisa praticamente esquecida por todo mundo- disse a raposa. -Significa criar laços”.

Sobre o autor

Antoine de Saint-Exupéry, que além de escritor, ou seja, voava sem asas, também alçava voos nas asas de um avião, era aviador. Em 31 de julho de 1944, após ter partido de uma base aérea em Córsega, oeste da Itália, aquele que aguçou o imaginário infanto-juvenil, mas que também conquistou o coração e mente de adultos que alcançaram a proeza de enxergar o mundo em sua volta sob o olhar de uma criança; não mais voltou e seu corpo jamais fora encontrado. Talvez tenha regressado para um planeta longínquo, com licença mística, mas sem sombra de dúvida, imortalizou-se em suas obras e continua a fazer com que leitores de todo o mundo, despertem o olhar para a essência humana.

Apesar dos ensinamentos que tanto convidam os leitores da obra, lançada em 1943, a refletirem sobre valores humanizadores de solidariedade, alteridade, amizade, compaixão e desprendimento; como falíveis que intrinsecamente somos; não aprendemos a pensar o outro, a nos propor a compartilhar a dor do outro, a nos colocar na situação do outro, e sobretudo, o outro não é tratado de modo central. Perdoe-nos, Saint-Exúpery, mas não conseguimos ser responsáveis por aquilo que cativamos tampouco estamos nos esforçando por cativar, e de fato, o essencial permanece invisível aos nossos olhos.


Fonte: 

http://obviousmag.org/devaneios_poeticos_e_outras_artes/2016/o-essencial-cada-vez-mais-invisivel-aos-olhos.html

 


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