EDUCAÇÃO, PANDEMIA E FUTURO


EDUCAÇÃO, PANDEMIA E FUTURO

 

Como os brasileiros estão vivenciando a educação em tempos de Covid-19

24 NOV 2020 | COMPORTAMENTOS EMERGENTES

POR SINTONIA COM A SOCIEDADE

Mais de

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dos estudantes do planeta (1,57 bilhão em 192 países) foram afetados pelo fechamento de escolas e universidades devido à pandemia, segundo a Unesco. Para muitos, entre os mais vulneráveis, a interrupção não será temporária. A evasão amplificada pelo surto terá impacto permanente. Para outros, novas formas de aprender e ensinar vieram para ficar, não sem grande esforço de adaptação e desafios que se acumulam com os anteriores. Na Pesquisa Globo Tracking Covid-19, buscamos saber como os brasileiros estão vivenciando a educação. E, com apoio da área de Valor Social, reunimos dados complementares que nos ajudam a entender melhor as mudanças e as perspectivas de futuro.

Fonte: Coalização Global de Educação – Unesco, 2020

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Educação é fundamental

Cerca de

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dos brasileiros acreditam que a formação acadêmica é diferencial no mercado de trabalho.

O diploma é tido como passaporte para o sucesso profissional e a estabilidade.

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Por isso, 2/3 dos entrevistados consideram essencial o investimento em educação. Igual proporção concorda que o investimento na própria educação é prioridade no orçamento. A educação da família é prioridade para 68%. Mas são muitos os obstáculos para se embarcar nesse círculo virtuoso.

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Um gap de educação acentuado

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O conhecido gap de escolaridade no país, com a formação superior completa concentrada nas classes A/B, se soma à falta de recursos essenciais e a diferentes questões que afetam a qualidade do ensino/aprendizagem. As consequências se agravam com a desorganização causada pela pandemia e um problema crônico se intensifica: a evasão. Mesmo antes da pandemia, mais de 1/5 dos brasileiros entre 14 e 29 anos (10 milhões) não havia completado alguma das etapas da educação básica. Os jovens negros representam 71,7% dos que abandonam a escola.

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Em relação ao atraso escolar, a média da distorção idade-série no Brasil é de 16,2% no ensino fundamental e de 26,2% no ensino médio. O sexo masculino lidera em todos os anos e chega a uma taxa de praticamente 35% no início do ensino médio.

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Os estudantes brasileiros também vivem realidades distintas no que diz respeito à disponibilidade de infraestrutura — mais de 5% das escolas estaduais não têm banheiro, e 59% das municipais não dispõem de biblioteca ou sala de leitura — e tecnologia. Menos de 30% das escolas municipais contam com internet para ensino e aprendizagem. Múltiplos fatores colaboram com o baixo desempenho. No ranking do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), que afere principalmente leitura, matemática e ciências, o Brasil ocupa o 57º lugar entre 77 países.

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Com a suspensão das aulas presenciais, o que já era difícil se torna ainda mais complexo, e o desequilíbrio no acesso à tecnologia acentua a desigualdade.

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O esforço na adaptação envolve estudantes, pais e professores, que têm experimentado diversas alternativas para compartilhar conhecimento com os alunos durante a quarentena. As redes sociais se tornaram plataformas cada vez mais utilizadas para isso: oito em cada dez educadores afirmam fazer uso.

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No entanto, a modalidade à distância ainda é um enorme desafio. Cerca de 88% dos professores declararam nunca ter dado aula remota antes da pandemia e 66% acreditam que são responsáveis por disseminar informações seguras para os seus grupos mais próximos. Aproximadamente 50% dos professores estão preocupados com a sua saúde mental, e 55% gostariam de receber suporte emocional e psicológico.

Em processo de aprendizagem, os alunos encontram diversos fatores que prejudicam e afetam a assimilação do conhecimento. Para lidar com o momento, a maioria dos estudantes prefere que a escola ofereça apoio emocional e de organização.

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A falta de infraestrutura tecnológica é um agravante para o sistema de ensino remoto. O país não oferece as mesmas condições de acesso para a população, e isso se reflete na visão dos pais.

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A chegada da pandemia de Covid-19 pôs o mundo em perspectiva. Em escala sem precedentes, autoridades mundiais condenaram o contato físico para impedir o avanço da doença. Nesse contexto, a educação formal sofreu impactos inesperados:

- 91% ou 1,57 bi de estudantes no mundo afetados pelo fechamento das escolas por tempo indeterminado;

- 192 países com sistema de educação afetado;

- Busca por alternativas de ensino não presenciais;

- Flexibilidade da quantidade mínima de dias letivos, no caso do Brasil.

 

Fonte: Situação da educação no Brasil (por região/estado) – Unesco, junho 2020; Coalização Global de Educação – Unesco, 2020; Covid-19 and the education sector – Organização Internacional do Trabalho,
junho 2020; Lei nº 14.040/2020 – Diário Oficial da União, 19/08/2020

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A preocupação com a saúde dos filhos levou a mudanças na perspectiva dos pais. Cerca de 77% deles consideram esse um ano perdido para a educação do filho, e 69% decidiram que o filho não voltará à escola este ano.

O retorno às aulas presenciais ainda divide a opinião dos brasileiros. Cerca de 72%, inclusive, acham que o modelo de ensino irá mudar definitivamente para um modelo híbrido (presencial e online). A preocupação com a doença faz com que prefiram evitar riscos.

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Na pesquisa “Consequências da Violação do Direito à Educação”, a Fundação Roberto Marinho e o Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa) mensuraram as consequências para a sociedade brasileira de não educar seus jovens. Entre elas estão:

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Se as limitações impostas pela pandemia afetam a todos, seus efeitos na educação, assim como em outras áreas, serão desiguais. O cenário educacional brasileiro traz questões que se acentuam com as consequências da pandemia, tais como as diferenças na qualidade de ensino nas esferas pública e privada como um todo, e a evasão escolar observada nas camadas mais vulneráveis da sociedade.

Mas a Globo e outras organizações promovem diversos projetos para que, juntos e aos poucos, a gente consiga virar esse jogo! Confira:

INDICAÇÕES DE PROJETOS EM RELAÇÃO À EDUCAÇÃO NA PANDEMIA
Educação é um compromisso histórico da Globo. Queremos contribuir para a valorização da escola pública, onde estão mais de 80% dos alunos brasileiros. As iniciativas desenvolvidas por nós reúnem professores, alunos e especialistas em três temas centrais: ensino público de qualidade para todos, valorização do professor e incentivo à leitura.

INICIATIVAS GLOBO
Webinar Educação em parceria com a área de Recursos Humanos: circuito de discussão sobre diversos temas da atualidade. Um destaque na conversa sobre educação está “Como continuar ensinando e aprendendo com os filhos em casa” com Lázaro Ramos, Ana Paula Xongani e Katia Smole (agosto 2020).

Série Sobre Ensinar e Aprender: conteúdo disponível na Plataforma Gente com conversas sobre educação. Os vídeos reúnem diversas participações como Fernanda Montenegro, Gustavo Ziller, Neca Setubal, Astrid Fontenelle, entre outros (abril de 2020).

Prêmio Educador Nota 10: o maior e mais importante prêmio da educação básica brasileira, que reconhece e valoriza professores da Educação Infantil ao Ensino Médio, além de coordenadores pedagógicos e gestores escolares de escolas públicas e privadas de todo o país. Há seis anos a realização é feita pela Globo e Fundação Roberto Marinho junto à Fundação Victor Civita e Abril, que criaram a homenagem em 1998.

Campanhas: desde 2013, série que soma mais de 30 filmes. Destaques para Dia da Educação (2020), Valorização do Professor (2019), "Eu sou o público da escola pública" (2018), lançada em uma parceria inédita com Malhação: Viva a Diferença (2018), que teve uma nova fase em 2019. Lucia Puglia, Sandoel Vieira e Fernanda Pereira, jovens que estudaram em escolas públicas, compartilharam suas trajetórias em depoimentos inspiradores. Em 2020, a Globo lançará filmes dedicados à Educação na Pandemia.

Série REP – Repercutindo Histórias: conteúdo disponível no YouTube da Globo com mais de 20 depoimentos inspiradores de professores e estudantes.

Cadernos Globo: Caderno é um misto de revista acadêmica e jornalística, que conta com artigos, entrevistas, reportagens, crônicas e depoimentos, em edições temáticas que se dedicam a aprofundar o debate e estimular a reflexão sobre assuntos contemporâneos e relevantes. Conheça as três edições dedicadas ao tema educação: “Educação: mitos e fatos” (2014), “Professor” (2018) e Primeira Infância (2019).

29 Diálogos Educação: encontros com produtores de conteúdo, no jornalismo e na dramaturgia, sobre os principais temas em debate na educação. As reuniões envolvem professores, estudantes e especialistas.

Mitos & Fatos da Educação (2019): A 6ª edição do programa, uma parceria da GloboNews com Valor Social, da Globo, mergulhou no tema da primeira infância. O programa, que teve como mediadora Mônica Waldvogel, contou com a participação da especialista em educação infantil Beatriz Ferraz, do pediatra Daniel Becker e da diretora de escola Karina Rodrigues. O programa foi às ruas de três capitais brasileiras, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Fortaleza, para ouvir o que a população pensa sobre a importância do brincar e da aprendizagem nesta fase da vida e seguiu com o debate no estúdio.

Criança Esperança: parceria com a Unesco no apoio a projetos de organizações sociais que oferecem oportunidades educativas a crianças e jovens de forma complementar à escola. A campanha de mobilização de recurso ocorre anualmente, com sua 35ª edição em 2020.

OUTRAS INICIATIVAS
Fonte: Instituto Unibanco e a consultoria Vozes da Educação

Estude em Casa: conteúdos educativos para ajudar quem quiser estudar em casa – Futura.

Busca Ativa Escolar: curso autoformativo com o objetivo de apoiar municípios e estados na implementação da iniciativa “Fora da Escola Não Pode!” com o objetivo de combater a exclusão escolar e monitorar possibilidades de evasão – Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Cinco planos para aprendizagem remota: material produzido pelo Centro de Inovação para a Educação Brasileira (Cieb) para que os gestores públicos possam se inspirar e construir estratégias de aprendizagem à distância. O projeto é feito a partir do Planejamento das Secretarias de Educação do Brasil em parceria com o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e a Fundação Lemann – Centro de Inovação para e Educação Brasileira (Cieb).

Atendimento psicológico online: a proposta é um sistema de acolhimento a preço social durante o período de isolamento a fim de apoiar a saúde mental da população – Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Aprendizap: plataforma para receber conteúdos e exercícios do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e Ensino Médio via WhatsApp – Fundação Lemann, Fundação 1Bi e Imaginable Futures.

Projeto Foca Enem: iniciativa disponibiliza aulões ao vivo e online, simulados semanais e rotinas de estudo com temas importantes para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Também foram criados pela rede o Enem Flix, com sugestões de filmes relacionados aos conteúdos da prova, e o Enem News, para a divulgação de notícias sobre o exame – Secretaria Estadual de Educação de Alagoas.

Eskada: plataforma com cursos abertos e certificados pela Universidade Estadual do Maranhão, com destaque para os temas de metodologias ativas na educação, dificuldades de aprendizagem, neuropedagogia e psicologia da educação – Universidade Estadual do Maranhão.

 Acesse o Anexo Completo aqui

Sintonia com a Sociedade - pesquisa em parceria com Valor Social

Contúdo baseado em estudo elaborado em 31/08/2020

 

Edição de texto: Walter Dhein, Oscar Neto e Carolina Carvalho
Arte e ilustração: Clara Pontes, Daniel Frias, Raquel Souza, Roger Arruda e Thiago Mota
Imagem: iStock by Getty Images © Imgorthand

 

Fonte: https://gente.globo.com/educacao-pandemia-e-futuro/


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