O que é mais importante: SER ou TER?


O que é mais importante: SER ou TER?

By Solange Quintanilha Última atualização 6 abr, 2018

Imagem: Shutterstock

Num primeiro momento, todos concordariam que é o SER. Na prática, porém, num mundo cada vez mais capitalista e competitivo, o sistema nos empurra para valorizarmos bastante o aspecto material. Os meios de comunicação em massa estimulam absurdamente o consumo, com imagens e propagandas a cada segundo. Os valores estão sendo invertidos, e o TER tem cada vez mais sido prioridade para a população.

Ter uma vida confortável e sem preocupações financeiras é um desejo quase universal. É claro que é necessário ter dinheiro para sustentar as necessidades essenciais da vida e ter uma qualidade de vida como: acesso à moradia, saúde, alimento, estudos, conforto, segurança, bons meios de transporte, possibilidades de acesso a cursos de aprimoramento, diversões… Uma das causas, porém, do consumismo desenfreado é a nossa necessidade de ganhar mais, de ter mais posses, mais bens materiais do que os vizinhos ou amigos, numa competição nada saudável. É como se o nosso valor estivesse totalmente atrelado ao que possuímos, à fama, ao que ostentamos… Essa busca costuma trazer muita ansiedade, estresse, problemas sociais, dificuldades de relacionamentos familiares e amorosos, pois vivemos na correria para adquirir cada vez mais, atropelando muitas vezes os que estão à nossa frente.

Aquilo que fazemos para ganhar a vida é diferente daquilo que fazemos para ter uma vida. Trabalhamos pelo sustento, porém para ter uma vida com qualidade, devemos amar, nos conectar, servir a um propósito e encontrar um real significado.

Na verdade, dinheiro algum será capaz de fazer recuperar o tempo perdido e mal utilizado por nós. Quando o dinheiro vira sinônimo de amor, a vida torna-se uma grande confusão. Ele seduz porque alimenta a ilusão de suprir as faltas e as necessidades emocionais, de estar a salvo de contratempos da vida , de ser possível aumentar de verdade a nossa autoestima e de tentar cobrir um grande vazio afetivo. Sabemos, porém, que nada substitui o afeto.

A maneira de dar, receber, gastar ou acumular dinheiro revela frustrações emocionais que se arrastam desde a nossa infância. O dinheiro assume uma função de expressão de força, de poder, para compensar a nossa fragilidade interna e nossas inseguranças. Precisamos valorizar tudo aquilo que possuímos, e não só os bens materiais.

Na realidade, precisamos descobrir outros valores, que de verdade tragam mais autoconfiança, segurança e satisfação interna. É com a nossa saúde psíquica e física, bons relacionamentos familiares e sociais, qualidade de trabalho, uma tranquilidade financeira ( sem necessidade de luxo e riqueza ), que podemos conquistar uma vida mais plena e mais feliz. Vamos administrar melhor o nosso tempo, procurando utilizá-lo da forma mais saudável sem esquecer as nossas reais prioridades, visando uma boa qualidade de vida e uma vida mais prazerosa.

Quando somos, ficamos mais felizes do que quando temos, além de que o SER não se acaba com o tempo, é eterno, mas o TER pode terminar a qualquer momento. Vamos correr atrás do SER: ser gente, ser íntegro, ser amigo, amar e ser amado, ser solidário…, pois assim teremos mais paz e felicidade.

Texto de Solange Quintaniha
Psicóloga Médico-Hospitalar, Psicanalista e Psicóloga Motivacional. Especialista na Terceira Idade e em Tabagismo. Palestrante de Temas Existenciais e Autoajuda.
Contatos: (21) 8179-99-99
E-mail:solangepsi8@gmail.com

Fonte:
https://www.aterceiraidade.net/o-que-e-mais-importante-ser-ou-ter/?fbclid=IwAR3TXBcAaFNFXraWr8XRGGPtoZgXadSYRSHynutG6EcfLfbOp4ZCSJGKsiM

A triste geração que precisa ter para ser

·  março 4, 2017

Estamos testemunhando a era da ‘ostentação’, onde para ser legal e aceito pela sociedade é preciso usar roupas caras, produtos importados de última tecnologia, dirigir carrões que custam uma fortuna, mas que muitas vezes não condizem com os salários e posições de seus respectivos donos.

Algumas pessoas gastam o que não podem para fingir uma realidade à qual  não pertencem, muitas vezes para impressionar desconhecidos.

Todo esse conceito de provar que ‘pode’ através de bens materiais ou de tudo aquilo que só o dinheiro pode comprar está silenciosamente nos condenando a uma eterna insatisfação, uma tristeza crônica, que muitos acreditam poder curar somente com aquisições financeiras.

menina triste

Infelizmente, esse tipo de comportamento é o resultado de uma sociedade fútil, capitalista, que a cada dia mais inverte valores e nos transforma em zumbis perseguidores do dinheiro.

Quero deixar claro que o inimigo não é o dinheiro, mas sim a ambição desmedida, e a falsa impressão de que ‘ele’ pode comprar tudo e resolver todos os problemas.

Também não é pecado algum gastar um dinheiro que é seu, que é consequência do seu esforço e trabalho. O problema é quando queremos viver um estilo de vida que não condiz com a nossa condição real.

Não é feio usar roupas mais baratas ou frequentar lugares mais simples. Feio é gastar mais do que pode, comprar e não conseguir pagar.

Além do mais, saiba que o sentido da vida e a verdadeira felicidade que você tanto procura, infelizmente, não podem ser encontrados nessas banalidades e modismos ridículos. Não seja produto dessa sociedade cruel, não se torne uma marionete nesse espetáculo de manipulação.

triste geração que só pensa em dinheiro

Estar na moda e ser elegante tem mais a ver com a sua personalidade, sua educação e comportamento, do que com as roupas que você usa.

Luxo mesmo é levar uma vida decente, com dignidade, amor próprio, e uma consciência limpa que não te faz perder nenhuma noite de sono pensando nas dívidas que fez, para poder finalmente ter a falsa impressão de ser alguém. Lembre-se que ser humano, gentil, educado, humilde, ter paz e saúde, é a única riqueza que ninguém pode tirar de você.

Fonte:
https://amenteemaravilhosa.com.br/triste-geracao-precisa-ter-para-ser/?fbclid=IwAR0kuStsZW3hYFdCeUgRkMNpDp8DDnz7G4dmYrW4M6QmveMjyLh8RJpUcGI

O Equilíbrio Entre o SER e o TER

Em 1976, o psicanalista Erich Fromm publicou o livro com o título: “Ter ou Ser”, que investigou o que estava acontecendo na sociedade pós-moderna, uma mudança de comportamento social na direção de que – “Somos uma sociedade de gente visivelmente infeliz: sós, ansiosas, deprimidas, destrutivas, dependentes – gente que se alegra quando matou o tempo que tão desesperadamente tentamos poupar”.

Em nossa cultura, como analisou Fromm, tem como objetivo supremo é o Ter cada vez mais até parecer uma função normal da vida que para viver necessitemos de possuir coisas. Mas isso tem um custo enorme para o meio ambiente, à medida que relação das pessoas com a natureza tornou-se destrutiva.

Numa sociedade como a nossa, onde as marcas de grife ganharam fama e viraram produtos descartáveis, se tornando fonte de status quo. Hoje tem gente que fala da sua saúde com um sentimento de propriedade, referindo-se às suas doenças, aos seus medicamentos e às suas dietas, como se a saúde e a doença fossem também marcas de grife.

Na internet as pessoas passaram a mostrar o Ter mais do que tudo, se exibir. Publicam suas fotos em diversas situações: eventos requintados, amigos influentes e aquisição de bens. Todas imagens atraentes, que aparentam um sentimentos de felicidade, para causar inveja aos seus amigos que veem isso como sinais de fingimento.

Vivemos um impasse, pois o tempo do Ser cede de modo crescente espaço para o domínio do Ter. Esvazia-se, os valores subjetivos na troca pelos valores de posses de bens materiais. O mundo se globalizou e os valores subjetivos, que eram enraizados no espaço público, dissolvem-se no confronto da sociedade líquida, em razão de que a propaganda transforma o Ter em “falsa felicidade”, que se coisifica nas mercadorias acessíveis aos consumidores.

Nessa competição narcísica pelo Ter, gasta-se muita energia psíquica pela aquisição de corpos esculturais e hipervalorizados, e além disso, na busca pelo Ter inúmeras pessoas entram num endividamento financeiro.  E quando o Ter não atinge o sucesso desejado, sobra aos indivíduos a procura dos medicamentos antidepressivos para aliviar o sofrimento por não alcançar o equilíbrio entre o Ter e o Ser.

Não estamos recusando a necessidade do consumo responsável, dado que todos precisamos consumir e possuir uma vida digna no ponto de vista financeiro e material, não há nada de errado nisso.  O que temos que encontrar, com serenidade, é o equilíbrio entre o Ter e o Ser para não acentuar a arrogância e agressividade, aspectos primitivos da defesa narcísica, que geram pessoas infelizes que anulam o Ser em detrimento do Ter.

O filósofo francês Frédéric Lenoir em seu livro Sócrates, Jesus e Buda três mestres de vida, aprofunda a nossa reflexão da importância do equilíbrio entre o Ser e o Ter: “O dinheiro e aquisição de bens materiais são apenas meios, certamente preciosos, mas nunca um fim em si. O desejo é por natureza, insaciável. Ele desperta frustração e violência.”

Jackson César Buonocore

Jackson César Buonocore Jackson César Buonocore Sociólogo e Psicanalista

Fonte:
https://www.psicologiasdobrasil.com.br/o-equilibrio-entre-o-ser-e-o-ter/?fbclid=IwAR2EW4ZOQU97HJPBuKXYJL-U-1vQVwj4nqGp4MlVK4qPHfI-rkWzzQSx4G4


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